sábado, 17 de janeiro de 2009

Cecília Meireles - Biografia


Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901. Foi criada por sua avó materna, de origem portuguesa, Jacinta Benevides, pois ficou órfã dos pais muito cedo: seu pai faleceu três meses antes dela nascer e, antes que completasse três anos, faleceu também sua mãe.
Formou-se em 1917 como professora e dedicou-se ao magistério primário. A partir da década de 30, atuou como professora de Literatura Brasileira em algumas universidades. Viajou a vários países, em destaque Portugal e Índia.
Em 1921, casou-se com o pintor português Fernando Correa Dias, tendo com ele três filhas. Em 1940, já viúva, casou-se com o professor Heitor Grillo.
Publicou, em vida, livros de poesia, livros infantis, crônicas, estudo sobre o folclores brasileiro, livros de crítica literária, estudo sobre a educação, além de traduzir diversas obras da literatura ocidental e oriental.
Faleceu no Rio de Janeiro em 1994.
Sua poesia manifesta uma tentativa de compreender a existência humana, o sentido da vida, transitando entre o mundo material, sensível, apreendido sensorialmente, e o mundo espiritual, místico, onde se encontraria a essência das coisas. Em sua poesia, essas duas realidades se misturam, se completam, refletem-se, gerando questionamentos, ponderações, expressões dos sentimentos e estados de alma humanos, em um esforço de revelar, de forma lúcida, o mistério da vida. As raízes espirituais de seu pensamento misturam o imaginário popular, a filosofia ocidental e a filosofia das religiões orientais. Nesse último caso, assinalam-se o hinduísmo, o taoísmo e o budismo.
O conteúdo existencial da poesia de Cecília Meireles e a liberdade de pesquisa da poetisa a diversas fontes da cultura (em atitude de revisão crítica de nossa herança cultural), são características que contribuíram para a formação da segunda fase do Modernismo Brasileiro (1930 a 1945).

Em 1955, no jornal O Cruzeiro, o escritor João Candé escreve um delicado perfil de Cecília Meireles:
Nome: Cecília Meireles. – Nasceu no Distrito Federal. – Casada, tem três filhas e dois netos. – Altura, 1,64. – pesa 59 quilos e calça sapatos número 37. – É quase vegetariana. – Não fuma, não bebe, não joga. – Não pratica nenhum esporte, mas gosta muito de caminhar e acha que seria capaz de dar a volta ao mundo a pé. – Não gosta de futebol e raramente vai ao cinema. – Gosta de bom teatro. – Responde pontualmente todas as cartas que recebe, mas atrasa-se, às vezes, em agradecer livros, porque só agradece depois de os ler. – Adora música, especialmente canções medievais, espanholas e orientais. – Poetas preferidos: todos os bons poetas. – Prefere os pintores flamengos. – Dorme e acorda cedo. – Leu Eça de Queirós antes dos treze anos. – Escreveu seu primeiro verso aos 9 anos. – Estudou canto, violão, violino e, às vezes, desenha. – Se pudesse recomeçar a vida, gostaria de ser a mesma coisa, porém, melhor. – Seu primeiro livro publicado foi Espectros, tinha 16 anos. – Seu principal defeito: uma certa ausência do mundo. – Seu tormento: desejar fazer o bem a pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam. – Nunca viu assombração, mas gostaria de ver. – Não tem medo de viajar de avião em viagens longas. – Gostaria de tornar a viajar para o Oriente e chegar até a China. – Pensa que poderia, pelo menos, ficar muito tempo no Mediterrâneo. – Coleciona objetos de arte popular. – Já colecionou xícaras e colheres de café. – Agora acha o café tão ruim que não vale a pena colecionar os acessórios. – Teve grande emoção quando chegou ao Açores, terra de seus antepassados. – Outra emoção grande: quando viu a sua “Elegia a Gandhi” traduzida em idiomas da Índia. – É o poeta brasileiro mais conhecido em Portugal. – Até agora não conseguiu gostar de Paris, embora admire a França. – Admira profundamente São Francisco de Assis, Gandhi e Vinoba Bhave. – Coisas que a horrorizam: tocar em papel carbono, ver comer ostras, aspirar fumaças de ônibus. – Coisas que ama: crianças, objetos antigos, flores, música de cravo, praia deserta, livros, livros, livros, noite com estrelas e nuvens ao mesmo tempo. – Acha que não tem medo da morte. – Gostaria de morrer em paz.

(Flávia Lins e Suzana Ruela Fuly, 2006)







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