domingo, 26 de abril de 2009

Gêneros Literários


Viajando pelo universo literário e ainda refletindo sobre o modo como ele é capaz de retratar o mundo em que vivemos, coloco aqui em evidência alguns comentários do crítico Anatol Rosenfeld relativos a "gêneros literários".
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A "voz" que fala no

Gênero lírico: eu

Gênero épico: ele

Gênero dramático: surge emancipada do narrador e da interferência de qualquer sujeito, quer épico, quer lírico.
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A classificação de obras literárias segundo gêneros tem a sua raiz na República de Platão. No 3.° livro, Sócrates explica que há três tipos de obras poéticas: “O primeiro é inteiramente imitação.” O poeta como que desaparece, deixando falar, em vez dele, personagens. “Isso ocorre na tragédia e na comédia”. O segundo tipo “é um simples relato do poeta; isso encontramos principalmente nos ditirambos” (cantos dionisíacos festivos em que se exprimiam ora alegria transbordante, ora tristeza profunda)”. Platão parece referir-se, neste trecho, aproximadamente ao que hoje se chamaria de gênero lírico, embora a coincidência não seja exata. “O terceiro tipo, enfim, une ambas as coisas; tu o encontras nas epopéias...” Neste tipo de poemas manifesta-se seja o próprio poeta (nas descrições e na apresentação dos personagens), seja um ou outro personagem, quando o poeta procura suscitar a impressão de que não é ele quem fala e sim o próprio personagem; isto é, nos diálogos que interrompem a narrativa.

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A definição aristotélica, no 3.° capítulo da Arte Poética, coincide até certo ponto com a do seu mestre. Há segundo Aristóteles, várias maneiras literárias de imitar a natureza: “Com efeito, é possível imitar os mesmos objetos nas mesmas situações, numa simples narrativa, ou pela introdução de um terceiro, como faz Homero, ou insinuando a própria pessoa sem que intervenha outro personagem, ou ainda, apresentando a imitação com a ajuda de personagens que vemos agirem e executarem eles próprios”. Essencialmente, Aristóteles parece referir-se, neste trecho, apenas aos gêneros épico (isto é, narrativo) e dramático. No entanto, diferencia duas maneiras de narrar, uma em que há introdução de um terceiro (em que os próprios personagens se manifestam) e outro em que se insinua a própria pessoa (do autor), sem que intervenha outro personagem. Esta última maneira parece aproximar-se do que hoje chamaríamos de poesia lírica, suposto que Aristóteles se refira no caso, como Platão, aos ditirambos. Quanto à forma dramática, é definida como aquela em que a imitação ocorre com a ajuda de personagens que, eles mesmos, agem ou executam ações. Isto é, a imitação é executada “por personagens em ação diante de nós” (3.° capítulo).


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Por mais que a teoria dos três gêneros, categorias ou arquiformas literárias, tenha sido combatida, ela se mantém, em essência, inabalada. Evidentemente, ela é, até certo ponto, artificial como toda a conceituação científica. Estabelece um esquema a que a realidade literária multiforme, na sua grande variedade histórica, nem sempre corresponde. Tampouco deve ela ser entendida como um sistema de normas a que os autores teriam de ajustar a sua atividade a fim de produzirem obras líricas puras, obras épicas puras ou obras dramáticas puras. A pureza em matéria de literatura não é necessariamente um valor positivo. Ademais, não existe pureza de gêneros em sentido absoluto.


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Ainda assim, o uso da classificação de obras literárias por gêneros parece ser indispensável, simplesmente pela necessidade de toda ciência de introduzir certa ordem na multiplicidade dos fenômenos. Há, no entanto, razões mais profundas para a adoção do sistema de gêneros. A maneira pela qual é comunicado o mundo imaginário pressupões certa atitude em face deste mundo ou, contrariamente, a atitude exprime-se em certa maneira de comunicar. Nos gêneros manifestam-se, sem dúvida, tipos diversos de imaginação e de atitudes em face do mundo.


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FONTE:
ROSENFELD, Anatol. O teatro épico. São Paulo: Desa, 1965.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Susan Boyle - Britains Got Talent 2009

Esse vídeo me foi encaminhado por Juliana Nogueira, minha colega de classe.

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Fiquei tão emocionada e feliz por ver que os sonhos de fato REALIZAM-SE quando agimos com determinação, que resolvi compartilhar esse vídeo com vocês.

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Espero que gostem!

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"Olá amigos,
talvez alguns de vocês já tenham visto esse vídeo, mas gostaria que todos assistissem, mesmo aqueles que não sabem inglês (as expressões faciais dizem tudo).
Nós temos o hábito de julgar as pessoas pela aparência e esse vídeo me fez pensar que muitas vezes perdemos a oportunidade de conhecer pessoas boas e de revelar grandes talentos porque não damos oportunidade àqueles que não se encaixam no padrão que julgamos aceitável.
Bom, é só pra vocês refletirem um pouco..."


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(COMO A DEFINIÇÃO DO VÍDEO ABAIXO NÃO ESTÁ MUITO BOA, ESTOU COLOCANDO ESSE OUTRO LINK - É O MESMO VÍDEO, PORÉM NUMA MELHOR VERSÃO)

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