sexta-feira, 22 de maio de 2009

O gênero lírico e seus traços estilísticos fundamentais






Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
(VINICIUS DE MORAIS, Livro de Sonetos)




O gênero lírico é conhecido como sendo o mais subjetivo: no poema lírico uma voz central exprime um estado de alma e o traduz por meio de orações. Trata-se essencialmente da expressão de emoções e disposições psíquicas, muitas vezes também de concepções, reflexões e visões enquanto intensamente vividas e experimentadas. A Lírica tende a ser a plasmação imediata das vivências intensas de um Eu no encontro com o mundo, sem que se interponham eventos distendidos no tempo (como na Épica e na Dramática). A manifestação verbal “imediata” de uma emoção ou de um sentimento é o ponto de partida da Lírica. Daí segue, quase necessariamente, a relativa brevidade do poema lírico. A isso se liga, como traço estilístico importante, a extrema intensidade expressiva que não poderia ser mantida através de uma organização literária muito ampla.





Sendo apenas expressão de um estado emocional e não a narração de um acontecimento, o poema lírico puro não chega a configurar nitidamente o personagem central (o Eu lírico que se exprime), nem outros personagens, embora naturalmente possam ser evocados ou recordados deuses ou seres humanos, de acordo com o tipo de poema. Qualquer configuração mais nítida de personagens implicaria certo traço descritivo e narrativo e não corresponderia à pureza ideal do gênero e dos seus traços; pureza absoluta que nenhum poema real talvez jamais atinja. Quanto mais os traços líricos se salientarem, tanto menos se constituirá um mundo objetivo, independente das intensas emoções da subjetividade que se exprime. Prevalecerá a fusão da alma que canta com o mundo, não havendo distância entre sujeito e objeto. Ao contrário, o mundo, a natureza, os deuses, são apenas evocados e nomeados para, com maior força, exprimir a tristeza, a solidão ou a alegria da alma que canta. A chuva não será um acontecimento objetivo que umedeça personagens envolvidos em situações e ações, mas uma metáfora para exprimir o estado melancólico da alma que se manifesta; a bem-amada, recordada pelo Eu lírico, não se constituirá em personagem nítida de quem se narrem ações e enredos; será apenas nomeada para que se manifeste a saudade, a alegria ou a dor da voz central.



FONTE:
ROSENFELD, Anatol. O Teatro épico. São Paulo: Desa, 1965.

domingo, 10 de maio de 2009

"Gênero: diferentes discursos"


Hoje quero expor um pouco mais sobre "gênero", pois acho o tema bastante interessante, principalmente considerando-se que, na atualidade, muitos tem surgido para incrementar a comunicação entre as pessoas. Blogs e mais recentemente o twitter são genêros que apresentam características bem distintas e conquistaram o gosto dos internautas ao redor do mundo.



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"O termo 'gênero' tem sido usado por muitos anos como referência a diferentes estilos de discurso literário, tais como sonetos, tragédias e romances. Isso salienta o fato de que diferentes tipos de discurso podem ser identificados pela sua forma completa ou estrutura genérica.

Em tempos recentes, o termo foi adaptado pelos lingüistas funcionais para se referir a diferentes tipos de eventos de comunicação (Martin 1984; Swales 1990). Eles argumentam que a língua existe para cumprir certas funções e que essas funções são determinadas pela forma ou estrutura geral do discurso. Esta estrutura surge à medida em que as pessoas se comunicam umas com as outras, ou seja, ela terá certos estágios previsíveis. O propósito comunicativo será também refletido na construção básica do discurso: palavras e estrutura gramatical. Em outras palavras, diferentes tipos de eventos comunicativos resultam em diferentes tipos de discurso e cada um destes terão suas próprias características distintivas. Alguns eventos resultam em sermões, outros em discurso político, e outros, ainda, em conversas casuais. Enquanto cada sermão, discurso político e conversa casual será diferente, cada tipo de discurso partilhará certas características que o colocarão à parte de outros tipos de discurso."



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Por exemplo:


1 - Uma receita culinária é caracterizada pelo título, lista de ingredientes e modo de preparar.


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“Tortinhas de maracujá”




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2 - Um artigo de jornal é reconhecido pelo seu formato em colunas, com a manchete destacada em letras grandes, com a identificação do autor da matéria, local do acontecimento, e a notícia sendo desenvolvida em letras menores.



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Deste modo, podemos perceber que "estrutura, gramática e aparência física são elementos que refletem os propósitos para os quais os textos foram criados.


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Cada texto, tudo que é dito ou escrito, revela algum contexto de uso. Além disso, é o uso da língua que, durante milhares de gerações, tem moldado o sistema. A língua evolui para satisfazer as necessidades humana, e o modo como ela é organizada é funcional, não arbitrário" (imposto por um grupo restrito de pessoas).



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Fonte:
NUNAN, David. Introducing discourse analysis. London: Penguin English, c1993.
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