domingo, 12 de dezembro de 2010

"Memorial: Inglês e Letras", por Raquel Ferreira


Raquel tem sido uma grande amiga desde que iniciamos o curso de Letras na UFMG, em 2007. 
Inclusive, tivemos a oportunidade de viajar juntas para participar de intercâmbio nos Estado Unidos, no 2.o semestre de 2009. 
Em nosso estágio (licenciatura), que terminou agora em dezembro, tivemos que fazer um memorial, contando como aconteceu o nosso contato com a língua inglesa.
Achei o trabalho da Raquel interessante e a convidei para publicá-lo aqui no Letra Essência.   
Enjoy!



Meu primeiro contato com o aprendizado de inglês foi na 7ª série. Não me lembro do aprendizado da língua em si, mas lembro muito da professora Iracema e suas exigências em relação à organização dos cadernos e da sala. Lembro que gostava dela e das aulas. Neste mesmo ano, entrei para um cursinho de Inglês, que freqüentei por um ano e meio, e deixei por causa do meu 2.o grau técnico em informática, que me consumia muito tempo. Porém, tínhamos aulas de Inglês Instrumental muito boas, que ajudaram muito na minha profissão. Ao concluir o segundo grau, fiz vestibular para Ciência da Computação. Do término do meu curso técnico até meados do término dessa faculdade, foram muitas idas e vindas entre cursinhos. Acho que tentei uns cinco cursinhos de inglês diferentes, mas a falta de continuidade me desanimou, porque a cada novo teste de nivelamento acabava sempre no mesmo nível do cursinho anterior.

Em meados de 2002, muito desanimada com o curso universitário e sentindo falta de uma formação em humanas, resolvi fazer Letras. Achava que tinha feito uma escolha por uma carreira muito cedo, uma vez que comecei o curso técnico com 15 anos. Queria experimentar outra carreira ou pelo menos ter mais uma opção. Além disso, tinha a esperança de atingir a tal proficiência que todo mundo fala ser importante. Fiz vestibular e passei para Letras em 2003, mas nunca cheguei a cursar, por falta de tempo para conciliar emprego e dois cursos. Acabei optando por continuar na Computação, pelo retorno financeiro. Porém, não desisti, adiei o curso de Letras e resolvi que o faria somente depois de terminar o curso de Ciência da Computação no final de 2004.

Ao me formar, por exigências do mercado, resolvi fazer uma pós-graduação e melhorar meu currículo em TI. Deste modo, o curso de Letras foi adiado mais uma vez. Somente após o término dessa pós-graduação tentei o vestibular pra Letras e, em 2007, passei novamente. Assim, desde esse ano, trabalho na área de informática e faço o curso de Letras, uma coisa muito louca para algumas pessoas. Porém, a faculdade de Letras tem sido fantástica e me proporcionou um intercâmbio incrível nos Estados Unidos (precisamente no Texas, outra opção “exótica” para vários Brasileiros).

Relembrando o trajeto do meu aprendizado de Inglês, nunca houve uma paixão pelo idioma que me tenha feito procurar pelo curso de Licenciatura em Inglês em específico. Sempre senti o Inglês mais como uma ferramenta, um status, um instrumento. Procurava proficiência e desenvolvimento pessoal. Apesar de não sentir que atingi uma proficiência (gramatical) tão maior em relação à que eu já tinha quando entrei no curso, sinto-me mais confiante em falar. A Letras e o Inglês me proporcionaram um enorme desenvolvimento pessoal e profissional, uma vez que complementou a minha formação técnica com uma formação humana, a qual jamais teria se não tivesse me aventurado por outros ares.

                                               
                      NY, Manhattan, Columbus Circle

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"O Mito da Caverna", de Platão

Conversando com uma colega de faculdade sobre temas como política, violência, família, educação, e o modo arrogante e prepotente como o homem vem conduzindo os seus caminhos 

- o homem é imperceptível ante a grandeza espacial e temporal do universo
e, no entanto, julga-se o centro do mundo! - 

surgiu a estória do Mito da Caverna, de Platão, que eu ainda não conhecia... rsrs. Fiquei fascinada com a metáfora! Assim, resolvi colocá-la aqui para que outras pessoas também possam apreciá-la e REFLETIR sobre suas implicações e possíveis significados.

Ao final, vocês encontrarão uma animação premiada, feita com bonecos de argila (http://platosallegory.com/ ), que dramatiza o resumo da estória. Infelizmente, não encontrei uma versão em português, mas as imagens dão o recado direitinho.

All the best!

O diálogo de Sócrates e Glauco (Platão, A República, v. II p. 105 a 109)
Trata-se de um diálogo metafórico onde as falas na primeira pessoa são de Sócrates, e seus interlocutores, Glauco e Adimanto, são os irmãos mais novos de Platão. No diálogo, é dada ênfase ao processo de conhecimento, mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade.

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.

                               


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Laranja Mecânica



Uma análise por Sheila Morato

O filme Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick em 1971, é considerado um clássico pelo seu aspecto visionário e pelo teor crítico feroz que lança sobre um sistema político, social e cultural, que até nos dias atuais tem a capacidade de refletir o modo como nossa sociedade se organiza. É visionário, porque, à sua época, vislumbrou o rumo sombrio que as relações de poder descomedidas poderiam atingir. De fato, quarenta anos após o seu lançamento, a história do ultraviolento Alex DeLarge continua sendo uma metáfora para o modo como a juventude muitas vezes é tratada e conduzida. É crítico, porque avalia o discurso político existente por trás das “boas intenções” que, no filme, o governo diz ter em relação ao bem-estar do grande público. Assim, o propósito deste texto é sobressaltar os pontos em que, no filme Laranja Mecânica, percebe-se a articulação entre psicologia, educação e sociologia.

Para falarmos de psicologia, não poderíamos deixar de tocar na questão behaviorista representada na história pelo tratamento de “cura” da psicopatologia revelada pelo personagem Alex, jovem chefe de uma gang, que sente prazer em cometer estupros e atos de extrema violência. O tratamento físico desenvolvido e aplicado com o intuito de diminuir o número de crimes na sociedade londrina assemelha-se às experiências desenvolvidas por Pavlov em cachorros, que tem como princípio básico a idéia de que o homem comporta-se e tem reações semelhantes às dos animais, podendo, portanto, ser condicionado a adotar determinados tipos de comportamento. No entanto, como vimos no filme, o tratamento Ludovico não leva em consideração a consciência do indivíduo, sua condição de livre-arbítrio, ou se sua “regeneração” ocorre devido ao reconhecimento de que seus atos são perniciosos para a convivência em sociedade ou não. Ao contrário, como meio para atingir a desejada “cura”, os políticos e cientistas interessados em tal experiência não demonstram qualquer tipo de sensibilização ética e nem mesmo se inibem por adotarem métodos tão violentos quanto os que foram utilizados pelo próprio Alex em seus atos criminosos. Através do uso controlado de drogas, que induzirão no corpo do paciente um mal-estar intenso, e imagens chocantes de violência durante várias horas e vários dias, eles esperam obter uma resposta física de literal aversão contra a violência. Nesse tratamento, os fins justificam os meios, mesmo se, em concomitância, eles acarretarem punição para o paciente. No filme, Alex não se sentiu abalado pelas imagens de violência, mas sentiu horror quando a música de Beethoven, que era a sua favorita, surgiu para condicioná-lo de forma negativa, livrando-o da única coisa que o satisfazia de modo inofensivo. A crítica de Kubrick contra a ciência moderna está presente principalmente na segunda metade do filme, mas configura-se ostensivamente irônica no último instante, quando o protagonista afirma “Agora eu estou curado”, referindo-se ao fato de que, na sua tentativa de suicídio, houve a extinção do condicionamento Ludovico, cujo objetivo era cercear sua natureza interior, sem, no entanto, resgatá-la de fato.

O tema educação também adquire uma dimensão importante em Laranja Mecânica. Podemos analisar essa questão do ponto de vista do relacionamento que Alex tem com os pais, pelo modo como ele é tratado na prisão e pela metodologia que é aplicada durante o tratamento Ludovico. A crítica à família moderna, apegada ao consumismo e ao “viver de aparências”, pode ser observada já no estereótipo do casal que atua como a família de Alex...
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domingo, 12 de setembro de 2010

O Sorriso de Monalisa: pela emancipação feminina

                                (clique na foto para assistir o trailer)

O Sorriso de Monalisa (2003), protagonizado pela atriz Julia Roberts, é um excelente filme que aborda exatamente a questão da figura da mulher na sociedade pós 2.a Guerra Mundial, período em que notadamente muitas viveram cerceadas e foram educadas para "se tornarem futuras esposas, dedicadas e preparadas para transformar a vida de seus maridos numa existência confortável", mesmo que às custas de aparências, submissão e abdicação de seus anseios e ideais. 

                                                                        Sinopse escrita por João Luís de Almeida Machado,
Doutor em Educação pela PUC-SP;
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura
pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP);
Professor Universitário e Pesquisador;
Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema"
(Editora Intersubjetiva).

Alguns especialistas chegaram a comparar “O Sorriso de Mona Lisa” ao vibrante e inspirador “Sociedade dos Poetas Mortos”, diziam que esse recente sucesso de Julia Roberts seria a versão feminina do bem-sucedido filme estrelado por Robin Williams e dirigido por Peter Weir. Talvez tenham sido iludidos pela atmosfera dos anos 1950 e pelo ambiente fechado de uma escola para moças, referências parecidas com aquelas percebidas em “Sociedade dos Poetas Mortos” (diferenciando-se apenas pelo fato de que “Sociedade” tem como pano de fundo uma escola de Ensino Médio, exclusiva para garotos, enquanto “Mona Lisa” retrata uma faculdade para moças).

A despeito de eventuais semelhanças, “Mona Lisa” não é um filme cujo principal enfoque está na educação libertadora, esclarecedora, em que se pretende que os estudantes percebam a riqueza da literatura ou da poesia como elementos definidores da essência da humanidade. Há alguns momentos e ações que nos levam a crer que a personagem Katherine Watson, vivida por Julia Roberts, tem perfil assemelhado ao do professor John Keating (Robin Williams) do filme de Weir (“Sociedade”).
Ela também está imbuída da idéia de que através de suas aulas é possível dar maior autonomia e preparo para que suas alunas enfrentem o mundo. Sua personagem também é obrigada a renovar o fôlego do curso que ministra com algumas variações didáticas pouco comuns ao universo da faculdade em que trabalha. A jovem professora de história da arte vivida por Roberts é, entretanto, muito mais que uma profissional em busca de renovação em seu trabalho pedagógico, ela é o protótipo de mulher moderna, livre, desimpedida e que quer quebrar as barreiras do mundo machista em que vive.

Julia encarna um feminismo antecipado em alguns anos. É uma mulher que está além de seu tempo e que não se conforma com o fato de suas alunas irem a faculdade para estudar sem as perspectivas futuras de tornarem-se profissionais e ingressarem no mercado de trabalho. Não há outro desejo nas estudantes que freqüentam suas aulas senão o de se tornarem futuras esposas, dedicadas e preparadas para transformar a vida de seus maridos numa existência confortável onde as aparências são mantidas (mesmo que cinicamente) a qualquer custo (ainda que isso signifique o sacrifício de suas honras e esperanças).

“O Sorriso de Mona Lisa” é um libelo em favor da emancipação das mulheres e uma pesada crítica ao conformismo que imperava entre as representantes do sexo feminino durante os anos 1940 e 1950. Olhamos para trás e percebemos que por trás de toda aparente felicidade dos lares americanos daquele período existiam mulheres restringidas em suas capacidades mesmo depois de terem sido convidadas a participar mais ativamente da sociedade em que viviam durante os anos da 2ª Guerra Mundial (quando os homens foram aos campos de batalha enfrentar os nazistas na Europa e muitas das funções exercidas por eles foram repassadas para mulheres).

A emancipação do jugo masculino, oferecida em virtude dos conflitos vividos em terras européias, era um blefe, uma necessidade de momento, em relação a qual houve um retrocesso considerável na década seguinte. “O Sorriso de Mona Lisa” nos leva a esse universo mascarado e também ao esforço de algumas mulheres (personificadas na professora de história da arte vivida pela estrela Julia Roberts) para não deixar que as conquistas de alguns anos atrás fossem perdidas para sempre...
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sábado, 21 de agosto de 2010

Violência contra a mulher

No último post, eu abordei a questão das mudanças que vem ocorrendo em nossa sociedade. Primordialmente, eu discuti a perpetuação do ciclo ideológico do sistema patriarcal, que nos é transmitido de forma tão insidiosa e sutil, que nem mesmo nós, as mulheres, nos damos conta e, inconscientemente, continuamos a reproduzí-lo. Isso ocorre, porque tal discurso vem sendo cristalizado em nossa sociedade, em nosso modo de encarar o mundo, por gerações e gerações, ao longo de milhares e milhares de séculos, influenciados por religião, filosofia, literatura, etc.
Como tentei destacar anteriormente, trata-se de algo muito mais complexo do que imaginamos e vai além de questões básicas como auto-estima, dignidade, e vida profissional.

Neste novo post, eu dou sequência ao tema, que, desta vez, abordará a violência contra a mulher e a necessidade urgente de uma mudança cultural em nossa sociedade. O vídeo que apresento abaixo foi ao ar no Bom Dia Minas de 09/08/2010 e traz alertas importantes para todos nós.

                             


A violência contra a mulher "não é uma questão de marido e mulher. Isso é uma questão da sociedade, do poder público. Isso tem que ser inserido nos programas de governo, efetivamente; é uma mudança cultural."

(Eliana Piola - Coordenadora de Políticas Públicas Para as Mulheres)

Sinta-se à vontade para deixar o seu comentário.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Desabafo de uma mulher moderna" by Sheila Morato


Há vários meses vinha pensando em escrever este artigo. Decidi, finalmente, fazê-lo, após receber por email um powerpoint intitulado “Desabafo de uma mulher moderna”, cujo teor é, para dizer o mínimo, machista, equivocado e ultrajante, pois situa a mulher como uma criatura cuja função é ornamentar o ambiente, procriar, e cuidar dos filhos e da casa; um ser que não precisa “colocar o cérebro pra funcionar” e que – aqui entra o meu comentário crítico - deve ser alimentado e cuidado, do mesmo modo como fazemos com um bicho de estimação. Pior, o ppt está sendo amplamente divulgado na internet. Ele foi “supostamente” criado por uma mulher; repassado a mim por uma amiga; originalmente, encaminhado para uma lista com um grande número de mulheres; e, ainda, consta na categoria “risos”. Eu pergunto: é possível alguém rir de um comentário como esse “Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco que nascemos depois dela”? Infelizmente, numa sociedade como a nossa, a resposta é sim.

Fico sempre pensando até que ponto o discurso patriarcal está incutido em nossas mentes, sem que sequer nos demos conta... Perpetuamos, deste modo, o ciclo ideológico, passando o pensamento de geração para geração e aceitando a dicotomia de gêneros como uma verdade universal, quando o objetivo presente nas entrelinhas é instituir a supremacia de um sexo sobre o outro para manter o status quo dessa relação de poder.

Para embasar o meu argumento, selecionei o texto Psicologia e Conhecimento, da professora Maria Helena Fávero (2005), que apresenta algumas perspectivas esclarecedoras sobre como as idéias sociais, políticas e culturais são ideologicamente construídas na interação entre os seres humanos. Não entrarei aqui na discussão da área da Psicologia que busca por uma confirmação quanto ao funcionamento da mente humana – se ela é regida por uma construção individual ou sociocultural –, pois acredito que a mente humana é influenciada por ambos os aspectos. O que quero salientar, todavia, é que o discurso da ideologia masculina prevalece, porque é alimentado pelas circunstâncias sociais, culturais e políticas, que impõem os códigos de conduta determinantes dos atributos específicos de cada gênero, masculino e feminino.

Já no século XIX, muitas teorias fundamentavam-se na ótica do raciocínio positivista, como podemos observar nessa passagem do texto:

Em 1975, Shields, num artigo intitulado Funcionalism, Darwinism and the psychology of women, que se tornou clássico no estudo da psicologia do gênero, analisa a influência da teoria evolucionista no estudo da psicologia da mulher. Segundo ela, essa influência pode ser traçada segundo duas linhas conceituais principais. A primeira, com ênfase no fundamento biológico do temperamento, conduz à discussão sobre o chamado instinto materno; a segunda, baseando-se na justificativa para o estudo dos indivíduos, abre as portas para o estudo das diferenças entre os gêneros segundo as habilidades sensório, motor e intelectuais. A ênfase do determinismo biológico, salienta a autora, provê ampla razão científica para catalogar as diferenças “inatas” em diferenças de natureza feminina e de natureza masculina.

A análise de Shields é extensa e recupera as teses desenvolvidas a partir dos fundamentos do evolucionismo, segundo as quais se defendia, com base em argumentos biológicos e fisiológicos, a inferioridade feminina e a superioridade masculina tanto do ponto de vista físico como do ponto de vista intelectual. É assim, por exemplo, que Francis Galton, aliás primo de Darwin, em 1907, defendia que a maior variabilidade da espécie estava no homem, o que significava que ele “carregava” a evolução e, portanto, era superior em relação à mulher (hoje, sabemos pelo desenvolvimento do estudo da genética humana que essa tese não é verdadeira).

O discurso “científico” criado a partir dessa tese era, em resumo, que a genialidade é um traço masculino; o homem, como possuidor desse traço, galga naturalmente as posições de poder e prestígio por meio da virtude e do talento, enquanto essas mesmas habilidades não podem ser esperadas da mulher, uma vez que sua educação deve ser consoante com seus talentos para ser esposa e mãe. O modelo educacional proposto por Stanley Hall em 1906 para as meninas tinha por base essa mesma tese e esse mesmo discurso (Shields, 1975).

Do mesmo modo, Thorndike, em 1914, ao considerar os instintos peculiares para cada sexo as fontes primárias das diferenças sexuais, defende a existência de um instinto próprio à mulher, o instinto à submissão e ao comando, validando assim a norma social de dependência da mulher e ao mesmo tempo considerando o comportamento assertivo da mulher como contra a sua natureza (Schields, 1975, p. 750).

No século XX, no período pós Segunda Guerra Mundial, foram exatamente esses argumentos que convenceram as mulheres, que trabalhavam nas fábricas e escritórios para suprir a mão-de-obra masculina empregada na guerra, a retornar para seus afazeres domésticos como “rainhas do lar” e principais responsáveis pela criação dos filhos (claro, porque elas tinham que devolver seus cargos para os homens que estavam voltando da guerra, e melhor seria que isso ocorresse de forma pacífica e cordata) abdicando, assim, da carreira profissional e independência financeira que começavam a descobrir e desfrutar. Ao menos foi o que aconteceu nos ditos países desenvolvidos – e veja que aqui nem menciono o contexto da realidade social brasileira à época, quando a maioria da população era rural, vivia à luz de lamparina e fazia uso do fogão a lenha –. Como “compensação”, a indústria e o comércio passaram a visar a população feminina como um mercado consumidor em potencial. Nas revistas e casas com aparelhos de televisão, eram comuns comerciais com donas de casa bem vestidas e sorridentes demonstrando seus fogões, geladeiras e modernos aparelhos eletrodomésticos. Além disso, como artifício de instrumento psicológico, existiam até mesmo manuais de etiqueta e bom comportamento.

Hoje, em pleno século XXI, afirmo sem receio que, infelizmente, os mesmos argumentos do passado são ainda aceitos por muitos homens e mulheres. No entanto, não podemos deixar de reconhecer que "a sociedade vem passando por inúmeras mudanças importantes, seja no campo político, educacional, social e cultural" (esses foram temas discutidos pela prof. Walkyria Monte Mór, da USP, em palestra apresentanda na FALE/UFMG, em 02/07/2010). Por exemplo, não estamos mais em tempo de guerra fria ou de ditaduras; a democracia, agora, é o sistema político vigente no Brasil e em muitos outros países. Hoje, “a escola pública é para todos”, mesmo que o sistema educacional existente não possua uma estrutura sadia capaz de conferir um ensino de qualidade para os alunos da classe de baixa renda. Atualmente, a noção que se tem de família não preenche mais aquele molde tradicional de décadas atrás; ela reestruturou-se para abarcar a pluralidade de relacionamentos envolvendo o casal, e a figura paterna, muitas vezes, não é mais aquela detentora do papel de autoridade. O mundo, antes limitado pelo espaço de suas fronteiras física, hoje tornou-se um lugar globalizado e inteiramente conectado pela evolução da tecnologia e da internet.

Diante de todos esses fatos, não podemos negar que tanto o papel da mulher quanto o papel do homem tem mudado ao longo dos anos. A mulher, finalmente, conquistou o mercado de trabalho e hoje está presente em quase todos os setores que antes eram predominantemente ocupados pelos homens. Ela já é maioria nas universidades, ocupa cargos de alto escalão em diversas companhias e vem ganhando cada vez mais espaço graças à sua competência, garra, determinação e inteligência. O homem, acompanhando as transformações à sua volta, também tem buscado se adaptar à nova realidade do contexto familiar. Muitos deles apóiam a busca de suas companheiras por uma carreira profissional e dividem as tarefas em casa, partilhando diretamente da responsabilidade na criação dos filhos e tomando a iniciativa também nos afazeres domésticos. O casal desempenha, assim, uma união que equilibra o esforço de ambos no objetivo comum de viver bem e em harmonia, sem segregação ou rebaixamento de um em relação ao outro. Os dois entendem que num relacionamento, ninguém é melhor do que ninguém – os dois se complementam e os papéis se sobrepõem.

Mas você, leitor, com certeza deve estar pensando, “mas não é assim que as coisas funcionam! O mundo não é esse lugar perfeito”, e eu mesma concordo com tal afirmativa. O mundo não é o lugar ideal que gostaríamos que fosse. Nele reinam conflitos e impera uma falta de ordenação que quase beira o caos. Como não existe a perfeição, mulheres e homens enfrentam a cada dia o seu quinhão de adversidades. Assim é que, a despeito de toda a luta da mulher para alcançar os seus direitos e conquistar o seu lugar no mundo, ela ainda é alvo de piadas depreciativas; ela ainda recebe salários menores do que aqueles pagos a homens ocupando a mesma função e desempenhando a mesma carga horária; depois de uma jornada inteira de trabalho fora de casa, ela tem que se desdobrar para cuidar dos filhos e também da manutenção da casa; ela sofre violência física, violência psicológica, violência moral. Mas, se estamos vivendo numa sociedade moderna e esclarecida, como acreditamos, não deveria haver motivos para os homens se sentirem ameaçados na sua masculinidade, no seu ego de macho, pelo fato das mulheres provarem que tem tanto valor quanto eles, certo? A idéia retrógrada de que eles se tornariam fracos ou afeminados por cuidar dos filhos e da casa não deveria existir mais, concorda? Mas o que acontece é exatamente o contrário. Boa parte da população masculina ainda acredita nessas idéias. Por isso, o preconceito contra a mulher ainda é uma realidade. Como os homens possuem uma estrutura física avantajada e agressiva, muitos pensam que tem direito de posse sobre a mulher, acreditam que podem dominá-la pela força – seja física ou psicológica –, para, assim, afirmar a sua “superioridade”. Assim, a mulher torna-se objeto da “apreciação” masculina, do mesmo modo como o são carros, bebida e futebol. A todo momento, vemos exemplos disto na televisão, nas novelas, nos comerciais publicitários, nos filmes, nos seriados de tv. O seriado da tv americana “Two and a half man”, por exemplo, ilustra claramente essa discrepância pejorativa entre os sexos. Todos riem. Todos acham graça. Todos aceitam os estereótipos apresentados e ninguém questiona os papéis instituídos por nossa sociedade – uma sociedade opressivamente patriarcal.

O assunto é tão mais complexo do que se imagina, que aqui não estou nem mesmo enfocando a questão alarmante da violência doméstica, que, de acordo com uma estatística recente divulgada pelo Bom Dia Brasil (Rede Globo, em 12/07/2010), revela que, no Brasil, 10 mulheres são assassinadas a cada dia. Isto, considerado como dado oficial. Mas e aqueles outros casos em que a mulher sofre calada e nem mesmo registra queixa na polícia? A falta de conhecimento sobre os direitos já adquiridos – como a Lei Maria da Penha, que está em vigor desde 2006 – e outros fatores, como medo, coação, sentimento de menos valia, filhos, dependência emocional e/ou financeira em relação ao parceiro, etc., concorrem para explicar o porquê da omissão em se denunciar os abusos; no entanto, tal atitude só faz agravar a situação e perpetuar a impunidade.

A realidade é que o discurso patriarcal é tão insidioso, que, muitas vezes, nem mesmo as mulheres se dão conta da relação de poder que permeia nossas vidas. Elas se tornam, assim, muitas vezes, coniventes com o próprio sistema. A baixa auto-estima e a sugestão de que não somos capazes o suficiente para vencer obstáculos sem o apoio de um homem, por exemplo, nos levam a internalizar essas inverdades e a nos encararmos umas às outras como competidoras em potencial. Como resultado, mulheres demonstram preconceito entre si, pelos mesmos motivos citados acima em referência aos homens. Sem perceber, elas repetem e reafirmam o padrão social esperado. Seria uma coincidência que o número de cirurgias para implante de próteses mamárias, plásticas, botox e lipoaspiração tem crescido tanto? Quem instituiu a ditadura e o culto ao corpo perfeito? E o que dizer, quando símbolos da música mundial como Madonna, Lady Gaga, Beyoncé e Shakira, por exemplo, despertam a atenção do público para a imagem da mulher-objeto? ...Seguindo nessa direção, criamos nossas filhas embaladas por contos de fadas e rodeadas por roupas e objetos cor-de-rosa, bonecas Barbie e brinquedos que imitam utensílios domésticos. Na contramão, criamos nossos filhos ao embalo de partidas de futebol, dos incentivos para se tornarem grandes “pegadores” e para não se preocuparem em executar as tarefas da casa, pois “isso não é obrigação de homem”.

Ao longo dos anos, também vemos que os problemas sociais como alcoolismo, drogas e violência tem cada vez mais se agravado. Juntamente com a pobreza, é como se o mundo, ao invés de progredir, regredisse. Mas a organização familiar, mesmo com as mudanças por que vem passando, continua a representar o esteio capaz de gerar, orientar e prover o desenvolvimento individual e coletivo de mulheres e homens. Para isso, aqueles que são responsáveis pela criação de uma criança não devem negligenciar ou se esquecer da questão da autoridade. Não confundamos aqui autoridade (persuasão através do exemplo e de argumentos) com autoritarismo (abuso de poder através do terror ou coerção). Muitas vezes, os pais que se ausentam do lar por motivo de trabalho acabam por fazer todas as vontades dos filhos e evitam corrigi-los ou impor-lhes limites, como uma forma de compensação por sua falta ou mesmo para amenizar os seus próprios sentimentos de culpa em relação a isso. Os limites, entretanto, são necessários em nossas vidas para nos dar o sentido de bom senso e de responsabilidade frente às conseqüências dos nossos atos. Por isso, ambos, mãe e pai, mulher e homem, partilham do mesmo grau de importância e de responsabilidade na formação dos filhos. Neste sentido, se há falta de estrutura emocional nos elementos de uma sociedade, essa é uma circunstância inerente ao ser humano e não está, de modo algum, relacionada diretamente à questão de gênero.

Ainda nessa discussão, quero chamar a atenção para o efeito clockwork do capitalismo selvagem, que tenta impingir a idéia de que a mulher, para ser “moderna”, tem que assumir uma postura/atitude competitiva e calculista em detrimento do modelo tradicional, que, durante décadas, fez parte de nossas vidas. Como se, apagando-se essa imagem anterior, ela deixasse de ser importante ou não agregasse mais em si valores de ordem social e cultural. Ou, ainda, como se a mulher moderna, ao sobrepujar a tradicional, simplesmente deixasse de desempenhar tarefas domésticas como cozinhar, lavar, passar, cuidar dos filhos, etc. – jornada dupla que, para muitas de nós, ainda é uma realidade (Monte Mór, 2010).

A questão toda apresentada aqui neste artigo é a seguinte: a mulher não precisa sentir-se obrigada a fazer o que não quer. Se ela se sente feliz e realizada em seguir os passos da avó e da mãe, tudo bem, não há nada de errado nisto. Não há porque ceder à pressão social que teima em nos ditar regras de conduta. Se houve mudanças, não significa que tenhamos que abandonar as nossas tradições, descartando-as como se não representassem mais nada para nós. Por outro lado, a mulher que quer “ganhar o mundo” e, de algum modo, “deixar nele a sua marca”, também tem o direito de trabalhar para fazer a diferença. Portanto, SIM, nós podemos incluir as mudanças em nossas vidas, agregando o novo às nossas tradições. SIM, nós devemos conquistar o nosso lugar, apoiando umas às outras e não nos confrontando como adversárias num campo de batalha. SIM, nós devemos buscar, se não a emancipação como indivíduos, ao menos a independência financeira que possa nos propiciar uma vida melhor e mais digna.

Esse foi o desabafo de uma mulher que não é totalmente moderna e nem radicalmente tradicional, mas que vive entre estes dois mundos encarando cada experiência que surge como uma oportunidade de crescimento pessoal.

Se você acha que o conteúdo deste artigo é relevante, por favor, deixe o seu comentário e passe o link adiante para que outras pessoas possam também partilhar dessas reflexões. Obrigada.



Informações gerais sobre os direitos da mulher:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Maria_da_Penha

Referências
FÁVERO, M. H. (2005) Psicologia e Conhecimento. Subsídios da Psicologia do Desenvolvimento para a análise do ensinar e aprender. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, v. 1. 332 p. (ISBN 85-230-0816-0)
Palestra O ensino de línguas estrangeiras na perspectiva dos letramentos, apresentada pela prof. Walkyria Monte Mór (USP), em 02/07/2010, na Faculdade de Letras da UFMG.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ponto de Vista: "Paixão pela Rússia, um curso de língua de cada vez" by Lela Atwood


Lela Atwood é a moça de olhos claros que aparece na foto ao meu lado. Minha companheira no programa PAW Partners da Baylor University, ela foi a estudante americana que se colocou à disposição e teve interesse em trocar experiências culturais comigo durante o meu período de intercâmbio. Em agosto próximo será a vez dela de sair para intercâmbio e, para contar um pouco da experiência dela com o aprendizado de uma segunda língua, publico neste post o artigo que ela escreveu e foi publicado no "The Lariat Online", http://www.baylor.edu/lariat/news.php?action=story&story=72663 (clique aqui para ver o artigo em inglês).


"Ponto de vista: paixão pela Rússia, um curso de língua de cada vez

Um ano atrás, eu não achava que era capaz de aprender uma língua estrangeira. A idéia de aprender uma segunda língua soava maravilhosa, mas não havia nenhuma esperança para mim. Eu nasci numa família de falantes da língua inglesa e mal tinha tido contato com outras línguas.

Muitas pessoas achavam que aprender uma língua era uma façanha grande demais para uma americana, como eu, tentar. Outros disseram que não havia como alguém aprender uma língua a não ser que ainda fosse criança ou fosse um gênio, duas características que não costumo usar para descrever a mim mesma. O último golpe veio, no entanto, quando tirei C na minha matéria de espanhol.

Quando o sonho dentro de uma pessoa morre, ela tenta lidar com a situação seguindo em frente. Eu colei na minha testa o rótulo de “linguisticamente remediável” e tentei aceitar o fato de que nunca me tornaria uma bilíngüe.

Algo aconteceu, no entanto, que mudou radicalmente a direção da minha vida. Tudo começou com uma busca na internet.

Como eu tinha algum tempo extra durante o verão, decidi procurar por artigos sobre países que eram inimigos dos Estados Unidos. Foi quando conheci a Rússia.

Eu me apaixonei pela grandeza dos antigos russos, pela paixão deles pela vida, pela força deles ao atravessar circunstâncias tão duras que a maioria dos americanos mal podia imaginar.

Uma amiga russa que conheci no Facebook me contou que a Segunda Guerra Mundial foi tão traumática para eles, que todos perderam alguém próximo e querido. Depois disso, eles tiveram que lidar com as rápidas mudanças trazidas pela queda da União Soviética, que afeta o povo até hoje. Como se o frio glacial, que põe o frio do Texas no chinelo, já não fosse o bastante.

Esses artigos também me informaram sobre alguns sofismas que os russos tinham. Se aqueles artigos são precisos, alguns russos são muito supersticiosos, acreditam que apertar as mãos na soleira das portas trás má sorte e acham que mulheres que sentam em banco frio correm o risco de terem os ovários congelados.

Eu vi essas qualidades como cativantes, como quando uma amiga tem manias e suas crendices.

Eu ansiava por encontrar o povo russo, fazer amizade com eles, e conhecer o seu modo de vida. O problema era que eu não sabia russo. Falar com russos que falam inglês e usar intérpretes pode ter suas vantagens, mas eu percebi que para aprender sobre a alma russa eu precisaria primeiro aprender a língua. E isso me assustou.

Algumas pessoas dizem que Deus não existe. Outras dizem que se há um Deus, ele nos olha lá de cima e não se importa com nossos problemas cotidianos. Tudo o que posso dizer é que só Deus pode soprar a vida em sonhos mortos, abandonados. E foi exatamente isso o que aconteceu comigo.

À medida em que o verão progredia, eu tive este estranho desejo de aprender a ler cirílico, o alfabeto que os russos usam. Então, vieram as lições de russo em CD e os cartões com palavras e números. Cada nova letra, palavra ou sentença era motivo de celebração e me levava a um passo mais próximo de dominar a língua.

Eu decidi, uma semana antes das aulas começarem, a me matricular no curso de russo, embora questionasse seriamente a minha escolha. Estudar num ambiente acadêmico tiraria de mim a alegria de aprender russo? Eu falharia outra vez? No final, ficou claro que essa foi a melhor escolha que já fiz.

Dra. Adrienne Harris foi minha primeira professora de russo. Ela é do tipo de professora que aproveita o tempo de aula ao máximo. Ela esperava que fizéssemos várias páginas de lição de para casa em russo de um dia para o outro e nos colocou para falar sentenças em russo uns com os outros já na primeira semana de aula.

Alguns estudantes podem considerar que isso é trabalho duro demais para uma aula de idioma. Mas não eu. Pela carga de trabalho e estilo de ensinar dessa minha professora, eu sabia que ela acreditava que eu podia falar russo. E isso significou o mundo pra mim. Eu terminei com um A nessa matéria e atualmente estou em outra aula de russo com ela.

Eu sei muito mais agora do que sabia naquele verão em que comecei a buscar o aprendizado da língua russa. E eu saberei ainda mais até o próximo inverno, quando estudarei sozinha no exterior na Universidade de Voronezh, na Rússia; não será fácil, no entanto.

Aprender uma segunda língua e hesitar numa conversação nunca é fácil a princípio. Contudo, quando eu fizer novos amigos em Voronezh, amigos que eu nunca conheceria se não fosse capaz de falar russo, todo o estudo e atividades de para casa terão valido a pena. E um dia eu serei capaz de dizer: Eu sou americana e sou bilíngüe."

Lela Atwood está cursando seu último ano de jornalismo e é repórter do Baylor Lariat.

Blog da Lela Atwood: From Russia With Love.

sábado, 12 de junho de 2010

"A Metamorfose" de Franz Kafka


        Hoje aconteceu minha apresentação do “Projeto do Leitor”, no curso de línguas do CENEX. Escolhi uma obra do escritor Franz Kafka, que gostaria de partilhar com aqueles que apreciam literatura. Fiz um breve resumo de alguns dos dados biográficos do autor e também deixo aqui algumas informações a respeito do livro “A Metamorfose”, que foi publicado pela primeira vez em 1915.
        Ficcional, o texto é uma prosa narrativa organizada no formato de novella ou o que pode ser identificado como sendo um curto romance. O trabalho revela-se como uma obra modernista devido ao seu conteúdo de questionamento, imaginação poética e visão surrealista do mundo.
        Kafka é considerado um cânone no mundo ocidental e até os dias atuais seu trabalho é objeto de estudo e discussão nos meios acadêmico, filosófico, literário e popular. Uma curiosidade sobre esse autor é que a maior parte dos seus trabalhos foi publicada postumamente. De fato, Kafka pediu ao seu amigo Max Brod que destruísse todos os seus manuscritos após a sua morte. Felizmente, Brod não aceitou tal idéia e, ao contrário, as publicou para o conhecimento e apreciação do mundo.
        Franz Kafka nasceu de pais judios em Praga no ano de 1833. Ele falava tcheco e alemão e estudou numa universidade alemã, onde recebeu o doutorado em Direito no ano de 1906. A maior parte da sua vida, trabalhou como funcionário público numa companhia de seguro estatal. Kafka dedicou-se à literatura e aos seus escritos no tempo que lhe sobrava disponível e costumava dizer que “era constituído de literatura”. 
        Acredito que o escritor possuía uma alma em eterno conflito com o mundo e consigo mesma. - E quem não a tem assim? - Sua vida foi marcada por relacionamentos conflituosos, como o que teve com seu pai – um homem de temperamento forte e dominador – e com as mulheres que passaram por sua vida: Felice Bauer, de quem foi noivo por duas vezes; Milena Jesenská, que ficou muito ligada a ele em 1920; e Dora Diamant, uma jovem judia que permaneceu ao seu lado durante o seu último ano de vida.
        Kafka morreu de tuberculose em 1924.
        Em “A Metamorfose”, narrada em 3.a pessoa, o leitor entra em contato com a estória do caixeiro viajante, Gregor Samsa, que, da noite para o dia, se vê transformado numa barata gigante. A descrição dessa transformação, encontrada no livro fonte do meu estudo, é a seguinte:

        “Ele deitou sobre a armadura dura das suas costas e, levantando um pouco a cabeça, conseguiu olhar
        – dividida em costelas crescentes em forma de segmentos – a expansão da sua arqueada, barriga
        marrom. Suas numerosas pernas, pateticamente frágeis em contraste com o resto dele, acenavam
        debilmente diante de seus olhos”.

 Outro fato interessante envolvendo essa obra literária diz respeito à tradução da palavra ungeziefer, de origem alemã, cujo termo geral muitas vezes é usado coloquialmente com o significado de “inseto”. Assim, algumas editoras traduzem a palavra como sendo “besouro”, outras como sendo “barata”. Seja lá qual for o seu significado, o que fica patente na estória é que a intenção de Kafka foi exatamente convencionar a sensação de desgosto vivenciada por Gregor diante da sua transformação radical.
        Em “A Metamorfose”, Gregor é obrigado a trabalhar nesse emprego que ele odeia, porque seu pai, o Sr. Samsa, deve uma quantia em dinheiro ao seu chefe. A princípio, Gregor resiste a qualquer reconhecimento da sua mudança, que, ele acredita, não é nada mais do que uma situação temporária. A única preocupação que ele tem em mente é como chegar ao trabalho a tempo, arrastando consigo aquele corpo que ele não sabe nem mesmo como movimentar. No entanto, devido à sua transformação física, Gregor vê-se incapacitado de usar a própria voz para se comunicar com os outros, que não se dão conta de que ele ainda continua consciente de tudo o que se passa ao seu redor. Após o ocorrido, sua família o mantém isolado no quarto e, aos poucos, o leitor vai tomando conhecimento de que há várias circunstâncias incongruentes ocorrendo nesse núcleo familiar. Ao final da obra, fica patente que Gregor não é o único a sofrer uma metamorfose.
        As principais personagens da estória são Gregor; seu pai, um homem idoso e acomodado -; sua mãe, uma mulher incapaz de lidar com a nova condição do filho -; e Grete, a irmã mais nova de Gregor – aspirante a violinista -, que se torna a protetora do irmão, logo após a transformação.
        O clímax ocorre quando Gregor é finalmente rejeitado por sua família. Sua irmã usa as seguintes palavras para expressar seu desagrado:

        “Nós temos que dar um jeito de nos livrar disso. Nós fizemos tudo humanamente possível para cuidar
        disso e dar comida e abrigo para isso; ninguém pode nos censurar de nada.”

Vale a pena lembrar que "A Metamorfose" já ganhou diversas versões nos mais variados meios artísticos: pinturas, literatura, cinema, etc.
        Vejo “A Metamorfose” como sendo o "quadro" que Kafka pintou para ilustrar as limitações que advêm da condição humana. Através das imagens de alienação e situações absurdas, ele apresenta o mundo como sendo um lugar de incertezas onde muitas vezes o amor não é suficiente. Analisando-se a questão desta perspectiva, interpretar o mundo afasta ou torna irrealizável a existência do ideal. As relações sociais são mostradas como um modo de exercer poder e controle e o sentido inconstante de identidade cria uma sensação de deslocamento diante do mundo.       
        Concluo este post, com a transcrição de um dos críticos de Kafka, Hofmmann, que diz:

        “Kafka é um autor para ser lido não somente por especialistas. Você não precisa passar por nenhum
        treinamento para se preparar para ele. O seu modo criativo não pressupõe nenhum conjunto de
        conhecimento externo à sua criatividade. Você não precisa particularmente ter uma disposição literária
        para lê-lo. Ele é formal, mas não hostil.”

Hofmmann pensa na obra de Kafka como sendo um perfeito trabalho de arte literária, tão acessível quanto estranho e tão estranho quanto acessível.

Clicando no título acima, você pode visualizar o PowerPoint que criei para essa apresentação.

terça-feira, 25 de maio de 2010

As Borboletas de Zagorsk

                    

“Esse documentário, lançado em 1990 pela BBC, mostra os notáveis métodos aplicados na Escola de Zagorsk, a 60 kilômetros ao norte de Moscou, onde sonhos se tornam realidade. Ele mostra as gêmeas de 11 anos, Nadya e Vera, que são totalmente cegas, mas que agora podem escutar música através de vibrações, e também a ex-pupila, Natasha Krilatov, quase totalmente surda e cega, que foi para a universidade e é agora psicóloga infantil, filósofa e poeta, esposa e mãe.” *

A partir do resgate da auto-estima dessas crianças e da grande dedicação dos profissionais envolvidos – educadores russos inspirados e baseados nas teorias do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky –, podemos perceber que mesmo aqueles com necessidades especiais têm um grande potencial que pode ser desenvolvido. Através do toque das mãos e da vibração da voz, com atenção e orientação apropriados, eles são uma prova de que é possível viver e se adaptar ao mundo tão bem quanto uma pessoa em perfeito exercício de suas habilidades físicas. Portanto, eles não devem ser simplesmente isolados e relegados à margem da sociedade como um grupo que não tem direito a uma vida digna, a ter acesso ao conhecimento, a ir para a universidade ou até mesmo a aprender a se comunicar em inglês, por exemplo. Com apoio e dedicação, as crianças de Zagorsk passaram de meras lagartas presas ao chão a belas borboletas capazes de alçar voos inimagináveis.

Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6 - Final

"Dê-me tua mão que eu te direi quem és.
Em minha silenciosa escuridão
Mais claro que o ofuscante sol
Está tudo o que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam
Tudo o que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira.
Tudo se revela ao toque de uma mão,
Quem é estranho, quem é amigo.
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão, que te direi quem és."
                                             (Natasha Krilatov)


* http://filmessurdez.blogspot.com/2009/08/borboletas-de-zagorsk.html

sábado, 10 de abril de 2010

Ao mestre com carinho

                             

Memorial

     Desde que ingressei no mundo do aprendizado estudei em escola pública e é do antigamente chamado “jardim de infância” que vêm as primeiras lembranças dos professores que tive. A professora Delair era considerada boazinha pela maioria dos alunos e inventava nomes carinhosos para nos conquistar. Ainda hoje me lembro do primeiro dia de aula, do uniforme azul e branco de tergal, das mesas e cadeirinhas espalhadas pela sala com painéis enfeitados, do cheiro das massinhas coloridas que usávamos para modelar bichinhos e tudo o que a nossa imaginação desejasse. Como tenho uma pinta em meu rosto, a professora Delair costumava brincar que eu havia comido feijão antes de ir para a aula e que uma casca ficara presa em meu rosto. Todos sempre achavam graça dessa brincadeira, exceto eu. Certa vez, no dia do índio, nós fizemos cocares de cartolina e, após o recreio, ela resolveu pintar nossos rostos com tinta guache, como se fôssemos pequenos indiozinhos. Não gostei da brincadeira e, nesse dia, andei cabisbaixa, constrangida, até chegar em casa. Lembro que era uma criança mais “séria” do que a maioria e não gostei do fato de a professora não ter respeitado a minha vontade de não participar da brincadeira. Na metade do ano, houve mudanças na Escola Estadual Kennedy (hoje Anita Brina Brandão), e as salas do pré-primário foram reorganizadas e divididas em novas turmas. Eu acabei ficando na sala da professora Vera, que tinha fama de ser brava e exigente. Sei que para mim foi um momento difícil, porque a nova professora começou a nos ensinar a ler e a escrever. Quando a minha mãe me ajudava a juntar e a ler os cartões com diversas sílabas, eu chorava e chorava, acreditando que não conseguiria acompanhar os outros alunos. Depois de certo tempo, percebi que as palavras vinham com facilidade e a sensação de “enxergar” o mundo de um jeito novo me fez sentir bem comigo mesma. No entanto, uma outra realidade se desdobrou para aquele grupo de crianças. Houve também uma separação de “classes” que a maioria dos alunos não percebeu: as crianças mais pobres ficaram na turma da professora Delair, enquanto as outras ficaram na sala da professora Vera. Lembro-me que no final daquele ano, a professora Delair mantivera-se nas atividades de colorir, ligar e colar, ao passo que todos os alunos da professora Vera terminaram o ano lendo e escrevendo. Hoje vejo que a trajetória dos alunos das duas turmas foi afetada seriamente por esse episódio, pois as turmas eram conhecidas como “fracas” ou “fortes”.

     No ensino médio, fui estudar no Colégio Municipal Marconi, onde permaneci até o final do 2.o grau. Na antiga 5.a série, conheci o professor José do Patrocínio, da aula de Português. Lembro-me que todos o achávamos uma “figura”. Ele sempre usava um jaleco branco durante as aulas, tinha à mão uma pequena vareta de madeira para apontar para os exercícios no quadro, e, quando, no momento da chamada, nos perguntava se havíamos feito o “para casa”, exigia que lhe respondêssemos de volta: “Fí-lo!” Ao mesmo tempo em que era sério e exigente, ele também sabia ser engraçado e amigável. Ele já era idoso naquela época – há mais de 20 anos atrás –, mas, ainda assim, às vezes me pego imaginando com nostalgia se ele ainda anda por aí com o seu inusitado jaleco branco. Até hoje, sempre que escrevo palavras como “ascensão”, “excesso” e “seção”, lembro, com um sorriso, dos ditados que ele nos aplicava. Era o terror de muitos alunos. No entanto, o seu modo disciplinado e consistente de ensinar despertou em mim o interesse pelo português e acredito que, em grande parte, influenciou também a minha escolha pelo estudo de línguas.

     A professora Marlene, da Biologia, era uma mulher baixinha, de longos cabelos castanhos, que não se deixava intimidar pelos alunos do 1.o ano do 2.o grau. Muito organizada em relação ao planejamento das aulas e à seleção dos temas a serem estudados, ela não se restringia ao ambiente da sala de aula. Sempre que possível, ela nos levava ao laboratório para realizarmos pequenas experiências e exames nos microscópios ou, então, trazia slides, transparências e filmes para ilustrar as estruturas, os processos de desenvolvimento dos seres e a organização dos reinos na natureza. A professora Marlene falava com clareza e em detalhes, estava sempre disposta a esclarecer nossas dúvidas e demonstrava um real interesse em nosso aprendizado. Sempre fui fascinada por Biologia. Com ela, no entanto, o volume de informações parecia ser mais fácil de ser assimilado.

     Na minha carreira como profissional da área de ensino, pretendo colher um pouquinho dos bons exemplos que tive e passar adiante para meus alunos. Embora os tempos tenham mudado e a geração de hoje conte com a tecnologia da informática e da internet para facilitar a transmissão do conhecimento, considero imprescindível a orientação segura e acessível do professor em sala de aula. Não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, as barreiras sociais, econômicas e políticas são um fator complicador. Todavia, não podemos nos esquecer que a educação é o instrumento que desperta o pensamento crítico para a realidade do mundo e o principal elemento na construção de uma nação forte, com igualdade.

Trabalho desenvolvido na aula de Didática da Licenciatura, março de 2010.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Intercâmbio nos Estados Unidos



Essa foi a realização de um sonho: estudar inglês em uma universidade americana.

Aluna da Faculdade de Letras da UFMG, fui selecionada para participar de intercâmbio na Baylor University, no Texas, de agosto a dezembro de 2009.
Foi uma experiência incrível, embora a saudade da família tenha sido um elemento difícil de se administrar, principalmente no começo. Mas, felizmente, há o skype pra encurtar as distâncias. Lá estudei 4 matérias: 'Modern English Grammar', 'World Literature', 'Religion and Literature', e 'The Poetry of Browning'. A universidade tem uma excelente infra-estrutura para oferecer aos alunos e os professores são muito bons, sempre abertos para auxiliar e esclarecer dúvidas.

A cidade onde Baylor está localizada é Waco, uma cidade pequena, mas que possui localização estratégica no Texas, pois fica a meio caminho de qualquer parte para onde você queira ir. Fica bem próxima a Dallas, Austin, Houston e San Antonio. A sensação local é a bebida Dr Pepper, inventada em 1885 pelo farmacêutico Charles Alderton. Eu não gosto do sabor, mas vale a pena conferir pelo 'patrimônio cultural' que representa, assim como o 'Dr Pepper float', um tipo de sorvete leve e doce, que, esse sim, particularmente eu adorei provar.

Para o aluno que está procurando por uma universidade americana onde fazer intercâmbio, Baylor é uma excelente opção!


* VEJA A MATÉRIA "ALUNA ESTRANGEIRA NA BAYLOR UNIVERSITY"

- Fall 2009 PAWS Partners Newsletter (página 2)
http://docs.google.com/fileview?id=0B4Y4-Zvccw18NWQ5NTY2N2ItZmE1My00ZjhhLTllN2ItZGM2NGNkOTdkNTEy&hl=en
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