segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ponto de Vista: "Paixão pela Rússia, um curso de língua de cada vez" by Lela Atwood


Lela Atwood é a moça de olhos claros que aparece na foto ao meu lado. Minha companheira no programa PAW Partners da Baylor University, ela foi a estudante americana que se colocou à disposição e teve interesse em trocar experiências culturais comigo durante o meu período de intercâmbio. Em agosto próximo será a vez dela de sair para intercâmbio e, para contar um pouco da experiência dela com o aprendizado de uma segunda língua, publico neste post o artigo que ela escreveu e foi publicado no "The Lariat Online", http://www.baylor.edu/lariat/news.php?action=story&story=72663 (clique aqui para ver o artigo em inglês).


"Ponto de vista: paixão pela Rússia, um curso de língua de cada vez

Um ano atrás, eu não achava que era capaz de aprender uma língua estrangeira. A idéia de aprender uma segunda língua soava maravilhosa, mas não havia nenhuma esperança para mim. Eu nasci numa família de falantes da língua inglesa e mal tinha tido contato com outras línguas.

Muitas pessoas achavam que aprender uma língua era uma façanha grande demais para uma americana, como eu, tentar. Outros disseram que não havia como alguém aprender uma língua a não ser que ainda fosse criança ou fosse um gênio, duas características que não costumo usar para descrever a mim mesma. O último golpe veio, no entanto, quando tirei C na minha matéria de espanhol.

Quando o sonho dentro de uma pessoa morre, ela tenta lidar com a situação seguindo em frente. Eu colei na minha testa o rótulo de “linguisticamente remediável” e tentei aceitar o fato de que nunca me tornaria uma bilíngüe.

Algo aconteceu, no entanto, que mudou radicalmente a direção da minha vida. Tudo começou com uma busca na internet.

Como eu tinha algum tempo extra durante o verão, decidi procurar por artigos sobre países que eram inimigos dos Estados Unidos. Foi quando conheci a Rússia.

Eu me apaixonei pela grandeza dos antigos russos, pela paixão deles pela vida, pela força deles ao atravessar circunstâncias tão duras que a maioria dos americanos mal podia imaginar.

Uma amiga russa que conheci no Facebook me contou que a Segunda Guerra Mundial foi tão traumática para eles, que todos perderam alguém próximo e querido. Depois disso, eles tiveram que lidar com as rápidas mudanças trazidas pela queda da União Soviética, que afeta o povo até hoje. Como se o frio glacial, que põe o frio do Texas no chinelo, já não fosse o bastante.

Esses artigos também me informaram sobre alguns sofismas que os russos tinham. Se aqueles artigos são precisos, alguns russos são muito supersticiosos, acreditam que apertar as mãos na soleira das portas trás má sorte e acham que mulheres que sentam em banco frio correm o risco de terem os ovários congelados.

Eu vi essas qualidades como cativantes, como quando uma amiga tem manias e suas crendices.

Eu ansiava por encontrar o povo russo, fazer amizade com eles, e conhecer o seu modo de vida. O problema era que eu não sabia russo. Falar com russos que falam inglês e usar intérpretes pode ter suas vantagens, mas eu percebi que para aprender sobre a alma russa eu precisaria primeiro aprender a língua. E isso me assustou.

Algumas pessoas dizem que Deus não existe. Outras dizem que se há um Deus, ele nos olha lá de cima e não se importa com nossos problemas cotidianos. Tudo o que posso dizer é que só Deus pode soprar a vida em sonhos mortos, abandonados. E foi exatamente isso o que aconteceu comigo.

À medida em que o verão progredia, eu tive este estranho desejo de aprender a ler cirílico, o alfabeto que os russos usam. Então, vieram as lições de russo em CD e os cartões com palavras e números. Cada nova letra, palavra ou sentença era motivo de celebração e me levava a um passo mais próximo de dominar a língua.

Eu decidi, uma semana antes das aulas começarem, a me matricular no curso de russo, embora questionasse seriamente a minha escolha. Estudar num ambiente acadêmico tiraria de mim a alegria de aprender russo? Eu falharia outra vez? No final, ficou claro que essa foi a melhor escolha que já fiz.

Dra. Adrienne Harris foi minha primeira professora de russo. Ela é do tipo de professora que aproveita o tempo de aula ao máximo. Ela esperava que fizéssemos várias páginas de lição de para casa em russo de um dia para o outro e nos colocou para falar sentenças em russo uns com os outros já na primeira semana de aula.

Alguns estudantes podem considerar que isso é trabalho duro demais para uma aula de idioma. Mas não eu. Pela carga de trabalho e estilo de ensinar dessa minha professora, eu sabia que ela acreditava que eu podia falar russo. E isso significou o mundo pra mim. Eu terminei com um A nessa matéria e atualmente estou em outra aula de russo com ela.

Eu sei muito mais agora do que sabia naquele verão em que comecei a buscar o aprendizado da língua russa. E eu saberei ainda mais até o próximo inverno, quando estudarei sozinha no exterior na Universidade de Voronezh, na Rússia; não será fácil, no entanto.

Aprender uma segunda língua e hesitar numa conversação nunca é fácil a princípio. Contudo, quando eu fizer novos amigos em Voronezh, amigos que eu nunca conheceria se não fosse capaz de falar russo, todo o estudo e atividades de para casa terão valido a pena. E um dia eu serei capaz de dizer: Eu sou americana e sou bilíngüe."

Lela Atwood está cursando seu último ano de jornalismo e é repórter do Baylor Lariat.

Blog da Lela Atwood: From Russia With Love.

Um comentário:

Madame Bovary disse...

Oi Sheila, seu texto é bem interessante, especialmente porque você dá um panorama interessante sobre a condição fronteiriça em que mulheres de nossa geração se encontram; quero dizer, entre o moderno e o tradicional que inclui, entre outras coisas, uma educação machista misturada a ideais de libertação e independência...
um abraço! Esther.

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