quinta-feira, 17 de março de 2011

MEC sugere não reprovar aluno nos três primeiros anos do ensino fundamental

                          

Essa reportagem, que foi ao ar no Bom Dia Brasil do dia 18/02, serve bem para completar os comentários que fiz no post anterior sobre os alunos de escolas públicas que são aprovados automaticamente sem terem aprendido o conteúdo necessário para o desenvolvimento salutar e contínuo do seu processo de aprendizagem.

Já pela fala inicial do repórter, "Não é lei, mas o MEC sugere não reprovar aluno nos três primeiros anos do Fundamental", percebemos que a questão tem um teor polêmico e delicado; porém, a meu ver, até agora o problema não foi analisado de modo a se encarar realmente a verdadeira fonte da sua origem. 

De acordo com o governo, "pesquisas mostram que os alunos que mais abandonam as escolas, desistem de estudar e de aprender são os reprovados nos primeiros anos do Ensino Fundamental". Ou seja, " a grande responsável pelo fracasso escolar é a reprovação." Uma conclusão bastante conveniente para aqueles que preferem ignorar e desconsiderar a condição quase calamitosa que impera em muitas escolas, que não têm sequer estrutura adequada, equipamentos didáticos funcionando e pessoal qualificado bem remunerado para acolher, apoiar e incentivar esses alunos que apresentam maiores dificuldades. Há projetos pedagógicos maravilhosos arquivados em estantes esperando para serem colocados em prática, mas que acabam tornando-se apenas projetos "para inglês ver", pois não são levados a termo por falta de verba, por causa da politicagem que entrava a direção de muitas escolas e até mesmo pela falta de interesse em se arregaçar as mangas e por a mão na massa. Afinal, qual poder quer ver seus cidadãos adquirindo o conhecimento e a emancipação capazes de libertá-los do seu jugo entorpecedor?

A princípio, ao menos parece que há uma preocupação em se criar o ciclo de alfabetização em três anos, que ajudará enormemente no alcance do letramento das crianças já no 3.o ano de vida escolar. "Os professores dizem que a proposta do MEC, em tese, é boa, mas argumentam que falta estrutura para colocá-la em prática." De acordo com a reportagem, "a pedagoga Leda Gonçalves de Freitas, da Universidade Católica de Brasília, argumenta que o aluno só será mesmo alfabetizado no final do ciclo de três anos, como quer o MEC, se houver mudanças em todo o sistema de ensino."  Ela completa, "Nós temos de pensar o conteúdo desse ciclo e o que fazer nesses três anos para que o aluno efetivamente seja aprovado. Se não construirmos essas condições, você só estará adiando um processo de reprovação.”

Concluindo o meu pensamento, vejo que essa questão da reprovação automática ou não serve apenas para criar uma cortina de fumaça e encobrir o bolor vergonhoso que vem deteriorando o sistema de ensino brasileiro, que - assim como a saúde - anda capengando para não sucumbir, apesar da falta de investimentos na qualificação e valorização dos professores, das salas de aula superlotadas e das más condições que desestimulam os alunos a buscarem o maravilhoso mundo do conhecimento.

Fonte:
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/02/mec-sugere-nao-reprovar-aluno-nos-tres-primeiros-anos-do-fundamental.html

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