quinta-feira, 17 de março de 2011

Quem se habilita?

No ano passado, eu tive a oportunidade de dar aulas de inglês numa escola pública de Belo Horizonte como professora designada. Estava bastante interessada em conhecer de perto como funciona esse sistema no dia-a-dia, de verdade, longe dos holofotes de uma mídia conivente com a imagem de um governo que diz priorizar a qualidade do ensino nas escolas públicas. Infelizmente, devo dizer que não foi uma experiência feliz ou agradável. Problemas como salas de aula super lotadas, falta de livro didático, falta de material de apoio - para as 7 turmas de 6.a e 7.a série, com aproximadamente 40 alunos cada, eu tinha direito a apenas 40 xerox por mês! -, alunos que não respeitam o professor nem mesmo como facilitador do aprendizado, alunos com dependência na disciplina de inglês fazendo provas cujas notas já haviam sido lançadas no diário escolar (!?!?) são algumas das realidades chocantes das escolas brasileiras, e falo isso também baseada em depoimentos de outros colegas que enfrentaram condições semelhantes às que encontrei.
Há toda uma engrenagem movendo o sistema educacional público na atualidade que favorece a corrupção do ensino, que faz vista grossa para o tal “passar o aluno de ano”, sem que o mesmo tenha aprendido o conteúdo necessário para seguir em frente. Embora muitos direitos importantes tenham sido reconhecidos e adquiridos nos últimos anos, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, e a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional esteja aí com o objetivo de regulamentar o sistema de educação brasileiro, em algum momento do caminho a boa intenção perde-se e o que se vê é toda uma geração de crianças e jovens com um futuro comprometido; o que se vê é o futuro do Brasil comprometido pela falta de comprometimento dos governos com a educação agora, no presente.
E quem seriam os responsáveis por tal situação? Seria apenas o resultado de um descaso político, da displicência da sociedade, da falta de pulso das famílias...? Não estou aqui para acusar nenhuma das partes. O que quero é gerar uma reflexão sobre o modo como estamos conduzindo o nosso país, pois acredito que, se queremos, de fato, consolidar o Brasil como uma nação de primeiro mundo, devemos valorizar os indivíduos desde pequenos para fugirmos do estigma de povo colonizado que ainda ronda a nossa cultura.
Assim, digo que governo, sociedade e famílias têm o poder para, juntos, fazerem essa revolução acontecer. A pergunta que fica , então, é a seguinte: quem se habilita?

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